Atenção com a imagem e com a fala!

Quando vamos nos expor em público é muito importante ter atenção com a imagem e com a fala! A imagem, sob o ponto de vista institucional, pode até ser considerada uma abstração. A fala não é. Atenção com a imagem e com a fala

Me recorre uma cena do filme sobre o grande Chico Xavier, em que ele resolve adotar uma peruca.  

Quando sua irmã vai questioná-lo, ele responde: “nenhuma palavra sobre isso!”. Deixou claro que aquela atitude era íntima, e que ninguém tinha nada a ver com isso.

Imagens polêmicas chamam atenção – discursos polêmicos, também.

Me recordo de  grande polêmica no mundo, envolvendo a grife italiana Benetton. Através de cartazes enormes espalhados em Milão, na Itália, a empresa colocou uma montagem fotográfica, pela qual adversários (pelo menos de idéias) dão “beijocas” uns nos outros.

Nas peças publicitárias de então, o presidente Obama beija Hugo Chaves e o presidente chinês Hu Jintao; o Papa Bento XVI beija o imã Al Azhar (seria um nome “azarado”?); Ângela Merkel beija Sarkozi; e, Mahmoud Abbas beija Binyamin Netanyahu.

É óbvio que antes de lançar a campanha, a Benetton avaliou com detalhes a decisão de levar ou não a campanha a público.

E sabia, com a devida antecedência e milimétrica precisão, que viria a reação como veio, embora tenha nominado o projeto de “não ao ódio”.

O Vaticano imediatamente reagiu e acionou advogados, para preservar a imagem do Papa.

A Casa Branca fez o mesmo. Toda vez que a Benetton lança este tipo de campanha economiza milhares de euros em publicidade, com geração de mídia espontânea.

No passado já extrapolou, colocando um padre e uma freira se beijando, entre outras cenas deste naipe.

Não foi diferente desta vez, e está em todos os jornais e sites do mundo. Mas a mim este tipo de atitude me parece ofensivo… Não me soa bem… Não gosto e acho agressivo, desnecessário e anti-ético.

Outro líder  que vive causando polêmicas desnecessárias é o presidente Donald Trump. Falastrão, embora bom gestor, agride a torto e a direta.

Para que?

Fica claro, dai que devemos ter atenção com a imagem e com a fala!

Os limites da ética na exposição da imagem e da fala

Em nome da liberdade de expressão, podemos muito, mas não podemos tudo.

Se considerarmos as pessoas envolvidas, devemos pesar que as mesmas, embora personagens momentâneas a ocupar um cargo, tem uma representação superior a si próprias.

Queiramos, ou não, todos nós temos (ou deveríamos ter), uma imagem íntima e pessoal a ser preservada e mantida com muito cuidado.

O íntimo compreende, desde posturas e condutas individuais, até de asseio pessoal. Volta e meia, percebemos amigos e pessoas que perderam a auto estima. Cabelos sem corte, ou pintados há meses, unhas sujas, roupas em desalinho, poidas ou sujas.

Não falo dos miseráveis e necessitados.

Falo de pessoas do nosso convívio diário… Com dentes sujos e halitose, cheiro duvidoso, etc.  Pessoalmente, adoro me arrumar. Quanto mais baixo astral estou, mais cuido de mim mesmo.

Adoro fazer as unhas, cortar o cabelo, tomar aquele banho gostoso, fazer uma barba bem feita, sobretudo nos dias mais duros e difíceis…

Passar um bom creme e perfume…

Afinal, não podemos amar mais ninguém se não amarmos o próximo. E tem alguém mais próximo de nós do que nós mesmos? Se eu estiver bem comigo mesmo, posso fazer bem e servir de estrutura aos outros…

Um bom exemplo disso é quando se busca um novo emprego ou uma ascensão profissional. Dai que não somente a imagem é importante,  Saber falar para convencer pessoas, também é!

Por vezes uma derrapada pode custar caro. Por isso a necessidade de ter  atenção com a imagem e com a fala!

E admiro e sigo quem sabe fazer isso bem. Roberto Carlos, Fernando Henrique Cardoso, Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Santoro, são exemplo de pessoas, estão sempre impecáveis, sem serem escravos deste comportamento.

Portam-se bem. Falam com cuidado. Cuidam da imagem…

Atenção com Imagem e com a representação institucional. 

Empresas, instituições, governos e marcas devem ter o mesmo cuidado com o uso imagem e também com a fala. Ainda mais nos tempos da governança corporativa e da  importância da compliance na evolução dos negócios, o que exige rígidas regras de comportamento e posturas no âmbito institucional e corporativo.

Basta ver o estrago que um desvio – ainda que pessoal – de algum integrante, pode causar na imagem de uma empresa ou instituição.

Leia mais sobre imagens institucional nas mídias sociais: http://www.topgesto.com.br/blog/clinicas-midias-sociais/

Basta pegarmos os recentes casos de pedofilia na Igreja Católica.

Ou o caso reportado pelo jornal Britânico O jornal britânico The Times revelando a existência de pelo menos 120 casos de abusos sexuais  envolvendo altos funcionários da ONGs de porte mundial como a Oxfam, Save the Childrem, Christian Aid e Cruz Vermelha.

Ou ainda, o desastroso comentário vazado em áudio do consagrado jornalista William Waack da Rede Globo que fez um estrago na sua biografia impecável.

No Brasil, empresas que cuidam da imagem corporativa, como a Hering, Natura, Boticário, Hospital Albert Einstein, entre tantas outras, ganham notoriedade e reconhecimento a cada dia. 
No entanto, tem sempre pessoas querendo correr riscos e cometer exageros, como faz a Benetton. Então nada mais recomendado que ter atenção com a imagem e com a fala!
As empresas, entidades e pessoas, antes de exporem suas imagens aos riscos do negativo – e as vezes ao ridículo – deveriam ponderar sobre suas decisões, impondo “condições limites” para certas atitudes.
As pessoas também devem ter todo o cuidado quando forem fazer pronunciamentos, discursos ou pronunciamentos de representação institucional  já que temos que saber diferenciar quando falamos em nosso nome e quando somos considerados representantes de uma entidade, empresa ou instituição.

Atenção com a imagem e com a fala exige atitudes

Tomar atitudes relativas à imagem significa adotar posturas e comportamentos que estejam adequadas à finalidade da sua existência. O mesmo vale para a fala
Aos seres humanos, a mim me parece, que a finalidade precípua é tentar ser feliz. Não vejo felicidade possível ante o desasseio e a falta de amor próprio.
Até admito alguns radicalismos em nome da felicidade, como tatuagens exageradas, cabelos moicanos, etc. Não servem para mim. Mas ficam estilosos em alguns.
O mundo vive uma falta de limites. As mídias sociais dão expressão para bilhões de pessoas. A informação corre na velocidade do pensamento. E, facilmente, uma imagem se “viraliza” na WEB. Com a mesma facilidade uma frase mal colocada ou dita e local ou na hora imprópria, pode causar grandes estragos na imagem pública das pessoas, empresas, instituições e corporações.
Então, todo o cuidado é pouco para quem não quer se expor de modo negativo.
Luiz Carlos Nemetz 
Advogado