Crise obriga choque de gestão na Saúde

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As últimas pesquisas do Ibope em 19 capitais mostram que a maior preocupação da população é a saúde. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mais da metade dos eleitores veem esse setor como o pior de todos, superando a segurança. Trata-se de um drama crônico, à frente na lista dos itens que mais tiram o sono dos brasileiros de forma permanente desde os anos 80.

Prioridade não significa anunciar com demagogia que será estudada a destinação de mais verbas ao setor. Até porque, com a grave crise fiscal, não há como aumentar despesas. A necessidade de ser fixado por proposta de emenda constitucional um teto de gastos públicos reforça a obrigação de administradores enfrentarem o grave problema da gestão. É preciso avaliar a qualidade do gasto do dinheiro, combater desperdícios e trabalhar com racionalidade, porque a restrição orçamentária coincide com um aumento da demanda por hospitais públicos.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar, os planos de saúde perderam 910 mil clientes apenas no primeiro semestre deste ano. Considerando-se um período de 12 meses, a queda foi de 1,64 milhão de pessoas, que passaram a pressionar ainda mais a demanda pelas redes federal, estadual e municipal. Melhorar a gestão exige disposição política de enfrentar as corporações, que resistem à fixação de metas, à cobrança de desempenho e a outras ações indispensáveis. Já passou da hora de o país dar um choque de gestão na saúde pública.