Hospitais e clínicas de saúde aconchegantes como um lar.

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Paredes com cores claras e neutras, móveis de design tradicional, corredores todos iguais, quadros com avisos e pedidos de silêncio. Essa já foi a descrição mais comum de clínicas e hospitais, mas está sendo substituída por ambientes com móveis sob medida, projetos de decoração pensados nos mínimos detalhes, de cores contrastantes na parede a diferentes tipos de iluminação e obras de arte distribuídas pelo ambiente. Esta seção da TOPGESTO – Gestão Segura em Saúde trará aos leitores do nosso BLOG mostras de como o design hospitalar tornou-se uma tendência e uma necessidade.

O hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, funciona hoje onde antes era um hotel no mundialmente conhecido bairro de Copacabana. E, apesar da transformação radical, as comodidades de suas instalações são tão exclusivas como as de um grande hotel. Suas suítes são decoradas com mobiliário exclusivo, composto não só por cama, armário e mesa de cabeceira, mas também estofados confortáveis e mesas de centro localizados em um segundo ambiente que é uma verdadeira sala de estar. Os pacientes ainda contam com um equipamento de viva-voz, que permite comunicação com a equipe de enfermagem, e um serviço especial de “hotelaria hospitalar”. As construções, reformas e decorações de ambientes para tratamento de saúde têm sido concebidas cada vez mais com o objetivo de fazer os pacientes se sentirem em casa.

O arquiteto Gustavo Assunção, especialista em Arquitetura Hospitalar, trabalha no escritório Simmetria, em Brasília, com mais seis profissionais. Ele e uma colega se responsabilizam pelos projetos de clínicas, hospitais e consultórios. Não basta cumprir as normas para construções hospitalares da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Os detalhes têm que ser priorizados para se criar um ambiente mais aconchegante. Nada de cadeiras duras de plástico, sempre se sugere aos clientes que optem por poltronas almofadadas e sofás.

No chão, piso vinílico, que imita madeira, já que esse material traz sensação de aconchego. As recepções são os ambientes para exagerar, recebem mármores e quadros grandes. Nas salas dos médicos, a ideia é evitar o distanciamento que se impõe pela mesa que fica entre médicos e pacientes. “A proposta é que três poltronas formem um semicírculo, com uma mesa colocada lateralmente, a fim de gerar mais interação e para que a proximidade desperte confiança. Cada vez mais com o objetivo de fazer os pacientes se sentirem em casa.”

Os aparelhos para analisar exames, como os de raio-X, são acoplados aos móveis e ficam menos visíveis. Tudo para não gerar a sensação de consultório. As clínicas de cirurgia plástica são as que exigem projetos mais requintados, já que lidam diretamente com a questão estética. Urologistas, ginecologistas e patologistas estão entre os que mais se preocupam em tornar aprazível o ambiente de seus consultórios. Além da decoração, alguns solicitam que se pense em maneiras de evitar que o paciente fique constrangido, como localizar a sala de espera em um local discreto, onde a pessoas não vão ficar expostas a um corredor por onde passa muita gente.

Não é só o design de interiores e uma fachada charmosa ou imponente que integram um projeto de arquitetura hospitalar. O Pavilhão Vicky e Joseph Safra, do Hospital Israelita Albert Einstein, na Unidade Morumbi, inaugurado em 2010, foi projetado com o foco na sustentabilidade. A construção de aproximadamente 70 mil m² custou R$ 220 milhões há época e tem mais de 200 consultórios médicos, centro de diagnósticos completo e centro cirúrgico de alta tecnologia. O edifício recebeu a certificação LEED GOLD, criada pelo U.S. Green Building Council e verificada pelo Green Building Certification Institute (GBCI), que reconhece e certifica projetos, construções e operações de edifícios sustentáveis (verdes) de alto desempenho.

Entre os itens avaliados para essa certificação estavam reduções no consumo de água e energia; cuidados na utilização de materiais para evitar emissão de poluentes; respeito à vizinhança durante a obra; controle do ar interno e redução do efeito de ilha de calor na região.

Na ocasião da inauguração do prédio, em junho de 2010, o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Claudio Luiz Lottenberg lembrou que: “A preocupação com a sociedade é colocada em prática com iniciativas sustentáveis como esta, sejam na área da saúde, da responsabilidade social ou do meio ambiente”. O projeto prevê, ainda, gerenciamento da descarga de águas pluviais, com uma redução de aproximadamente 30% do volume de água da chuva enviado para a rede pública e controle da iluminação produzida no prédio, a fim de haja luz suficiente no hospital, sem gerar poluição luminosa para a vizinhança. O uso de transporte menos poluente é estimulado com racks seguros para bicicletas e vestiários com chuveiro e até uma pequena estação rodoviária para ônibus fretados foi construída fim de incentivar que os funcionários do hospital usem menos automóveis.

TOPGESTO – Gestão Segura em Saúde