Incorporando novas tecnologias

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Com o surgimento de novas tecnologias, os tomadores de decisão de hospitais e outras instituições de saúde agora possuem uma demanda crescente de avaliação de novidades passíveis de serem adquiridas. Em um sistema altamente fragmentado, como é a saúde no Brasil, a decisão se torna cada vez mais complexa e desafiadora. A saúde brasileira pode apresentar três problemas decorrentes da falta de avaliações apropriadas: o uso de tecnologias sem eficácia constatada; o baixo uso daquelas que apresentam alta eficácia e, por último e talvez mais perigoso, o uso de tecnologias sem efeito ou com resultados deletérios. Seja esta tecnologia um medicamento, equipamento ou procedimento técnico, no fim, o paciente é o mais prejudicado por não receber um atendimento de qualidade que poderia mudar o destino de sua condição de saúde. Alguns autores sugerem uma lista de 20 a 25 perguntas, conhecidas como mini-HTA (Health Technology Assessment), que consiste em um checklist desenvolvido para auxiliar decisões baseadas em evidência dentro de organizações ou sistemas de saúde. Envolve questões referentes à eficácia, segurança, custos e consequências organizacionais e éticas na adoção tecnológica. No geral, seu preenchimento é realizado pelo corpo clínico, podendo haver suporte técnico relacionado à Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Outra opção é o Multi-Criteria Decision Analysis, que já é usado em outras áreas da economia, mas vem ganhando bastante força na área da saúde. Neste modelo, os critérios recebem pesos e ponderações, criando uma visão bastante transparente e prática sobre o que pesa para a adoção tecnológica. Neste caso, o corpo clínico é de extrema importância, mas um apoio técnico maior se torna necessário. O processo de decisão em saúde é multifatorial, não sendo necessário substituir tudo, e sim complementar. Ao final, o essencial é que o paciente seja o maior beneficiado.