Linfoma de Hodkin, o câncer misterioso

Considerado um câncer raro, o linfoma de Hodkin tem maior incidência dos 15 aos 40 anos e de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de que ocorram 2.470 novos casos ainda em 2016.

“Oitenta por cento da população tem contato com esse vírus. Naqueles pacientes predispostos, o linfoma pode ocorrer. O que parece é que uma mutação adquirida por fatores externos deflagra a doença”, disse o onco-hematologista Fernando Blumm, médico da unidade de Brasília do Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). Quais fatores são esses, porém, é algo que a medicina desconhece.

Embora exista uma relação com o vírus Epstein-Barr, o mesmo que causa mononucleose, as causas desse câncer não são conhecidas. Diferentemente de outros tipos de câncer, portanto, para esse não existe prevenção. “O que insistimos é no diagnóstico precoce”, afirma Blumm.

Quando detectado em estágio inicial, a chance de cura pode beirar os 90%, segundo o onco-hematologista. Nos casos avançados, fica em torno de 70%. Para facilitar a identificação precoce da doença, o médico pede que não se ignorem os seguintes sintomas: caroço indolor que não vai embora e não está associado a quadro infeccioso, febre e sudorese inexplicada, perda súbita de peso, coceira não associado a alergia. “É muito importante que se investiguem esses sintomas”, insiste.

A hematologista Juliana Minuncio Nascimento lembra que, quanto mais precocemente a detecção, maiores as chances de cura. Além disso, idade avançada, presença de doença cardíaca ou pulmonar associadas e o tipo de tratamento podem comprometer o sucesso terapêutico. “Nos casos em que não há resposta satisfatória ao tratamento inicial, pode-se utilizar uma combinação de outro esquema quimioterápico com radioterapia e/ou transplante de medula óssea, além de imunoterapia ou terapia-alvo”, diz.