O cirurgião Pedro de Abreu Trauczynski fala sobre novas tecnologias na especialidade de cirurgia minimamente invasiva.

pedro_topgesto

Nova legislação que passou a vigorar a partir deste mês de fevereiro, permite que o setor de saúde no Brasil seja indiscriminadamente explorado pelo capital estrangeiro. Um dos principais impactos que esta entrada de investidores deve acarretar deverá ser a vinda de novas tecnologias, sobretudo softwares e hardwares. O médico cirurgião Dr. Pedro de Abreu Trauczynski é especializado em cirurgia minimamente invasiva, com formação nos EUA e na França. Em seu dia a dia profissional utiliza como ferramenta de trabalho equipamentos e ferramental cirúrgico com sofisticados componentes tecnológicos. Atua junto ao Hospital Santa Isabel, na cidade de Blumenau/SC, que é nacionalmente conhecido como um centro de excelência em cirurgias, notadamente transplantes de órgãos (rins, fígado, coração, etc.), tendo, no início deste ano, alcançado a surpreendente marca de 1000 transplantes de rins.  Elaborou um detalhado projeto para introduzir no Brasil um robô DA VINCI para ser utilizado em um hospital voltado também ao atendimento do SUS. O projeto em questão consta da apresentação exibida ao final da entrevista. Vejam algumas das ideias deste jovem e talentoso médico sobre a importância da tecnologia e da inovação tecnológica na área de saúde, na entrevista que concedeu ao TOGESTO – Gestão Segura em Saúde.

TOPGESTO:  A tecnologia é uma realidade que já pode ser considerada indispensável para a boa prática e para os bons resultados em serviços de saúde?

Dr. Pedro Trauczynski – A medicina atual deve focar em oferecer um tratamento “estado de arte”, com uma visão do indivíduo como um ser integrado mente-corpo-espírito.  O desequilíbrio entre esse mecanismo é o responsável na gênese de qualquer doença. Qualquer tecnologia que provar otimizar intervenções médicas, diagnósticas e terapêuticas, minimizando riscos, auferindo maior precisão e possibilitando uma maior resolubilidade e que ainda prove ser financeiramente viável, deve estar presente no arsenal terapêutico de qualquer entidade de saúde que vise excelência.

TOPGESTO: O senhor teve experiência profissional tanto no EUA como na Europa. É possível, sob o ponto de vista tecnológico, fazer uma comparação entre aqueles países desenvolvidos e a realidade brasileira? Onde é e como precisamos avançar?

Dr. Pedro Trauczynski – A medicina brasileira sofre com a má gestão e descaso político. Temos comparativamente a países desenvolvidos, de modo geral, muito menos recursos, pior remuneração e péssimas condições de trabalho. Ainda que existam esses fatores, temos uma sensacional capacidade de adaptação e vocação dos profissionais de saúde, o que nos torna diferenciadamente preparados para a integração de novas tecnologias. Possuímos um melhor discernimento sobre a relação de custo-benefício de diversos métodos.

TOPGESTO: Quais, a seu ver, os impactos financeiros e de resultados assistenciais e de redução de custos que a mudança de legislação que permite a abertura do mercado de saúde para investimentos advindos do capital estrangeiro, especialmente em novas tecnologias e inovação tecnológica, irão trazer para a medicina brasileira? 

Dr. Pedro Trauczynski – Acredito que esta abertura do mercado facilitará o acesso a financiamentos de projetos que podem ser efetivamente viáveis. Certamente haverá uma melhora de nossos resultados assistenciais. Estes serão possíveis com a melhoria das condições estruturais do nosso sistema, e do “know how” que as empresas de capital estrangeiro poderão nos oferecer em governança corporativa e planejamento estratégico, por exemplo.

TOPGESTO: Nos EUA tem mais de 500 robôs Davinci em operação. Na Europa são mais de 600. Por que no Brasil temos menos de 10? Com as novas regras que permitem ingresso de recursos do exterior na exploração de serviços de saúde a realidade brasileira pode mudar? 

Dr. Pedro Trauczynski – Sofremos no Brasil com a incapacidade de gestão, que não tem dados estatísticos, principalmente de médio e longo prazo. Isto, dificulta o planejamento de medidas de saúde pública, tal como análise de dados de custeio e de “payback” de investimentos que alterem resultados a longo prazo. Na prática o que esta tecnologia poderá nos oferecer é retorno do paciente às atividades laborais precocemente desonerando a previdência social, menores taxas de incapacidade para o trabalho e menores complicações. Esses são apenas alguns exemplos.

TOPGESTO: O senhor atua com grande capacitação técnica numa cidade de porte médio. Entretanto o hospital onde atua é referência em vários serviços, notadamente o de transplantes de órgãos, no que tem reconhecimento nacional. É possível se pensar em instalar um robô Davinci no novo cenário de novos investimentos? 

Dr. Pedro Trauczynski – Acredito muito na possibilidade de instalação de um sistema Davinci em nossa cidade. Todos os envolvidos seriam beneficiados. O paciente, que teria seu tratamento otimizado, com melhores resultados e menores riscos. O hospital pelo pioneirismo, tal como obteve em outras áreas, assim como o reconhecimento como centro de excelência. Nossa região iria se consolidar como um polo regional de saúde, atraindo pacientes que buscassem o melhor tratamento possível para a resolução de sua doença. Estou certo que um dia teremos um robô Davinci em nossa cidade, basta termos visão e trazermos o futuro para os dias atuais. Melhor sermos pioneiros e inovadores do que aguardarmos a necessidade de aquisição da tecnologia, para apenas nos mantermos nivelados a outros centros de tratamento. *

Assista a apresentação preparada pelo  Dr. Pedro Trauczynski sobre o robô Davinci.