Pesquisadores relatam pela primeira vez como câncer de mama se espalha

Duas pesquisas publicadas na revista “Nature” descrevem quais os mecanismos usados por células tumorais da mama para se disseminarem em outros órgãos, ainda que elas estejam em uma fase muito inicial do câncer, como no carcinoma ductal in situ, o qual se pensava ser incapaz de causar metástases. Hoje já se sabe que, em 5% das vezes, a paciente desenvolve metástase até mesmo antes de o câncer na própria mama se formar.

Quando isso acontece, essas células se desgarram da mama e se deslocam pela corrente sanguínea e podem ficar “adormecidas” por um longo período em outro órgão e anos mais tarde serem “acordadas”, explicam os pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, no Monte Sinai, e da Universidade de Ratisbona, na Alemanha, que lideraram os estudos.

A revelação sobre como esse processo acontece abre caminho para a criação de novas terapias que possam “desarmar” esse mecanismo, impedindo a formação de metástases ou tratando-as de forma mais precisa. “Biologicamente, este novo modelo para a metástase precoce desafia tudo o que pensávamos saber sobre como o câncer se espalha”, afirma Julio Aguirre-Ghiso, um dos autores e professor de Hematologia e Oncologia Médica da Escola de Medicina Icahn.

Os pesquisadores mostram, ainda, que as células que migram precocemente têm mais potencial para formar metástases do que aquelas que saíram de tumores avançados. Pelo menos 80% das metástases, segundo os estudos, foram derivadas de cânceres de mama em fase inicial. “Embora nossos resultados adicionem um novo nível de complexidade à compreensão do câncer, eles também adicionam energia aos nossos esforços para finalmente resolver o grande problema dessa doença: parar a metástase.”, conclui Aguirre-Ghiso.