“Pílula do exercício físico” X especialistas em esportes

athletic runner's shape made out of vitamin pills

Cientistas de universidades da Dinamarca e Austrália anunciaram estar se aproximando da criação de uma pílula que imita os efeitos do exercício físico no corpo humano.

As últimas pesquisas permitiram descobrir, pela primeira vez, o que realmente acontece dentro dos músculos no nível molecular quando praticamos esportes.

O anúncio gera muita polêmica: alguns mais esperançosos podem imaginar que, no futuro, a pílula pode substituir horas de academia ou corrida, mas os especialistas consultados pela BBC Mundo estão mais céticos e alguns até estão preocupados.

Alguns especialistas em esportes temem que a comercialização deste tipo de medicamento estimule ainda mais o sedentarismo que já um dos grandes problemas atuais.

A nova pesquisa revelou “mais de mil reações musculares – até agora desconhecidas – nos músculos que estão expostos à atividade física”, segundo fontes da Universidade de Copenhague.

Os cientistas utilizaram uma técnica chamada espectrometria de massas, um método avançado para identificar moléculas.

Porém os especialistas em saúde e esporte consultados pela BBC não aprovam nenhum tipo de substituição dos exercícios.

Para muitos, uma pílula jamais poderia substituir todos os efeitos, incluindo o psicológico, dos exercícios.

A Universidade de Sydney emitiu uma nota afirmando que a descoberta “ajudará a revelar novos mecanismos biológicos relativos ao exercício e será uma fonte fundamental para futuras investigações fisiológicas”.

Mas Carlota Díez, especialista em saúde do esporte, afirma que o verdadeiro problema está na maneira com que este tipo de mensagem é difundida.

A especialista admite que este tipo de medicamento poderia ter vantagens para pessoas com problemas como tetraplegia ou outros problemas graves de mobilidade, mas é “preciso deixar claro que a pílula não poderia ser para todo mundo, só deveria ser tomada se existe um problema real”.