Sem plano de saúde, usuários recorrem a clínicas populares

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Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), quase dois milhões de brasileiros perderam o plano de saúde nos últimos 18 meses. No final de 2014 a tendência de crescimento se inverteu e o número de clientes começou a cair, passando de 50,4 milhões, em novembro daquele ano, para 48,4 milhões em abril de 2016. A queda de beneficiários de planos vem trazendo dois principais impactos para o sistema de saúde brasileiro. Mais pessoas passam a ser dependentes da rede pública, já sobrecarregada pela alta demanda e recursos insuficientes. Clínicas particulares com preços mais acessíveis, de olho nos órfãos dos convênios, abrem cada vez mais unidades e diversificam a oferta de procedimentos. A dificuldade de acesso a especialistas na rede pública já é sentida por quem perdeu o plano de saúde. Para quem não quer esperar, a alternativa tem sido pagar consultas particulares em clínicas populares. Para Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o fator mais preocupante é que, enquanto a demanda cresce, o investimento no sistema público cai. “Este seria o momento de o SUS receber mais recursos para estar preparado para atender mais pessoas”, opina.  As clínicas particulares podem resolver problemas mais simples, mas os casos mais complexos continuarão a ser direcionados para o sistema público. “Em qualquer necessidade de maior complexidade, a pessoa vai voltar a depender do SUS e, como essas clínicas não têm ligação com o sistema público, esses pacientes terão de começar o processo desde o início”, alerta.