Prolongar a vida é mais importante do que morrer sem dor e sofrimento?

No Brasil, estar espiritualmente em paz é o que mais importa no fim da vida. Mais que morrer sem dor e sofrimento. Pelo menos é o que mostra o resultado de uma pesquisa feita pela ONG americana que atua na área da Saúde, a Kaiser Family Foundation, em parceira com a The Economist.

O levantamento cross-country destaca experiências e opiniões dos americanos sobre o envelhecimento e cuidados de fim de vida e como isso se compara com as opiniões e experiências dos residentes da Itália, do Japão e do Brasil. Um relatório separado ainda é centrado apenas nas opiniões e experiências das pessoas nos Estados Unidos.

A pesquisa foi realizada por telefone de março a novembro de 2016 entre amostras de adultos nos Estados Unidos (1.006), Itália (1.000), Japão (1.000) e Brasil (1.233). A margem de erro de amostragem para os resultados de cada país é de mais ou menos quatro pontos percentuais.

No Brasil: paz espiritual
Nada menos que 40% dos entrevistados no Brasil acham que estar espiritualmente em paz é “extremamente importante”, enquanto a segunda prioridade (para 32%) é estar confortável e sem dor. O mais impressionante, no entanto, o Brasil é o país em que 26% da população querem viver o máximo possível. No Japão, apenas 10% das pessoas considerou a opção, enquanto 14% na Itália e 23% nos Estados Unidos.

Ranking – Prioridades das pessoas na hora da morte
Confira os números para o Brasil da porcentagem de pessoas que disseram que é extremamente importe quando estão pensando sobre a hora da morte

1 – Estar em paz espiritualmente (40%)
2 – Estar confortável e sem dor (32%)
3 – Ter alguém querido ao lado (30%)
4 – Viver o máximo possível (26%)
5 – Família não ser sobrecarregada financeiramente (24%)
6 – Garantir que os desejos serão realizados pós-morte (24%)
7 – Família não ser sobrecarregada com as decisões sobre saúde (22%)

No Japão e nos Estados Unidos, a principal preocupação é não sobrecarregar a família financeiramente com gastos médicos e com hospital, respectivamente por 59% e 54% dos entrevistados. Na Itália, o fator emocional falou mais alto, já que 34% das pessoas mencionou como prioridade o fato de ter uma pessoa querida ao lado.

Desejo é morrer em casa
Em todos os quatro países selecionados no levantamento, os entrevistados preferem morrer em casa se tiverem escolha. Por outro lado, essas mesmas pessoas acreditam que, na realidade, estão mais propensas a morrer no hospital.

Por exemplo, no Brasil, 64% prefere morrer em casa, mas 37% acredita que irá acabar seus dias em um hospital. No Japão, isso é mais crítico, pois 55% quer morrer no seu próprio lar, mas acredita que 58% terminarão seus dias internados.