Técnica de reprogramação celular pode ajudar no rejuvenescimento

O desgaste natural do corpo resulta em doenças ligadas ao envelhecimento, o que causa medo na maioria da população. Porém, uma técnica com potencial para reverter males como enfraquecimento muscular e perda de funções de órgãos está sendo desenvolvida por cientistas americanos através de reprogramação celular. Os resultados do trabalho, publicados na última edição da revista internacional Cell, surgem como uma esperança na busca pelo rejuvenescimento humano.

Os autores da pesquisa partiram de investigações anteriores voltadas para a capacidade de renovar células por meio da reprogramação. “Demonstramos em 2012 que essa técnica poderia rejuvenescer células de pacientes que sofrem de síndrome de progeria in vitro, e o objetivo passou a ser testar essa abordagem in vivo”, conta ao Correio Izpisua Belmonte, um dos autores e professor no Laboratório de Expressão Genética do Instituto Salk.

A equipe usou como base da reprogramação quatro genes chamados fatores Yamanaka. A escolha se deu porque eles podem ser transformados em células-tronco embrionárias, estruturas funcionais mais jovens e que conseguem se transformar em qualquer tipo de célula presente no corpo humano. Outro cuidado foi optar por um modelo animal em que diferenças relacionadas à idade pudessem ser percebidas sem dificuldade. “Usamos um padrão de roedor com envelhecimento prematuro, que carrega a mesma mutação que os pacientes com progeria humana”, explica o autor.

Segundo os pesquisadores, o rejuvenescimento dos ratos ocorreu pelo fato de os fatores de reprogramação Yamanaka induzirem alterações no epigenoma. “O epigenoma é a coleção de marcas químicas de nossos genes que controlam a expressão gênica. À medida que envelhecemos, nosso epigenoma muda e algumas dessas marcas epigenéticas aumentam, diminuem ou são modificadas”, explica Belmonte. “Nossa hipótese é que a reprogramação está restaurando essas marcas químicas para um estado mais jovem, transformando-o em um programa epigenético jovem.”

Para Gustavo Guida, geneticista do Laboratório Exame de Brasília, por mais que ainda distantes da clínica, os resultados do estudo norte-americano prometem ganhos importantes à área médica. “Anos atrás, acreditávamos que o sequenciamento genômico era algo trabalhoso, difícil de ser conquistado, mas hoje já usamos essa tecnologia em laboratórios, compara. “Por mais que uma técnica de reprogramação celular como essa pareça distante, não podemos descartá-la como um possível tratamento no futuro.”